Dia do Trabalhador: Conheça as ações adotadas pelo MPT durante a pandemia da Covid-19

01/05/2020 - Brasília – O Ministério Público do Trabalho (MPT) vem atuando em diversas frentes para reduzir os impactos da disseminação do novo coronavírus (Covid-19) entre os trabalhadores. Destinação de recursos oriundos de ações civis públicas e termos de ajuste de conduta (TACs), apuração de denúncias de irregularidades trabalhistas, mediações trabalhistas e elaboração de notas técnicas e recomendações para empregadores estão entre as medidas adotadas pela instituição.

Veja a seguir um resumo das ações do MPT:

Destinações - Até o dia 27 de abril, foram destinados R$ 203 milhões no País (sendo R$ 5,5 milhões na Paraíba) para a aquisição de equipamentos de proteção individual (EPIs) a profissionais de saúde, respiradores, ventiladores pulmonares e kits de testagem. O montante também foi utilizado para a doação de cestas básicas e enxovais a comunidades carentes. Os valores foram garantidos por decisões da Justiça do Trabalho ou por acordos extrajudiciais (termos de ajuste de conduta - TACs) e beneficiam todos os estados do Brasil e o Distrito Federal.

Com isso, são beneficiados hospitais, associações e fundos municipais e estaduais de saúde, universidades, entes da federação, instituições filantrópicas que prestam assistência a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Denúncias - Além disso, o MPT registrou até o dia 27 de abril um total de 10.361 denúncias de violações trabalhistas relacionadas à Covid-19 (517 na Paraíba), desde o início da pandemia. Isso corresponde a um aumento de 13,7% em comparação com o levantamento anterior, publicado no dia 20 de abril.

Inquéritos - O último levantamento mostra que foram instaurados 2.078 inquéritos civis para apurar as irregularidades atribuídas aos empregadores (dos quais 131 na Paraíba). oram realizados 19.218 despachos e expedidos 30.224 documentos, entre notificações, ofícios e requisições, todos referentes à Covid-19. O acompanhamento das políticas públicas de enfrentamento à crise provocada pela doença tem sido feito por meio dos procedimentos promocionais, que chegaram a 703 no dia 27 de abril.

Mediações – O MPT também tem atuado na mediação de conflitos entre trabalhadores e empregadores, para amenizar as consequências decorrentes da pandemia. Ao todo, já são 155 procedimentos de mediação.

Ações judiciais – Até o dia 27 de abril, o MPT ajuizou 56 ações civis públicas, quando não foi possível a solução extrajudicial dos conflitos. Uma das ações resultou em liminar que determinou a paralisação de projeto para a exploração e beneficiamento de zinco, cobre e chumbo em Mato Grosso, maior empreendimento da Nexa Resources no país. A suspensão das atividades foi adotada como medida de proteção a cerca de 1.500 trabalhadores que corriam risco de contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19), considerando que atuam em atividades que implicam na aglomeração de pessoas, sobretudo em lugares subterrâneos, com ambiente de ventilação limitada. Ainda, houve a confirmação de que um funcionário havia contraído o vírus e outros oito estariam com suspeita de contaminação.

Em São Paulo, o MPT ajuizou duas ações civis públicas contra as plataformas digitais Rappi e iFood, das quais já resultaram em liminares. As ações cobram medidas destinadas à proteção da saúde e da segurança de trabalhadores de aplicativos contra a Covid-19.

Call centers também foram alvo de ações civis públicas por oferecerem riscos de contaminação aos trabalhadores. Procuradores do MPT em Sergipe e do MPT no município de Mogi das Cruzes (SP) cobraram a adoção de medidas de segurança em empresas do setor.

O MPT também ajuizou ação civil pública contra a União para que alterações em normas regulamentadoras de saúde e segurança do trabalho (NRs) passem a respeitar a legislação. Entre as propostas de revisão apresentas pela União neste ano, encontram-se a alteração dos serviços de medicina do trabalho e a extinção da insalubridade por agentes biológicos, mudança que pode resultar em maior exposição de trabalhadores ao Covid-19. Segundo a ação, as normas têm sido modificadas de forma muito acelerada, com pouco diálogo com a sociedade e sem o cumprimento de requisitos estabelecidos pela legislação, como a elaboração de análise de impacto regulatório, plano de trabalho e plano de implementação.

Em 8 de abril, a instituição processou o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pedindo liminarmente que a instituição financeira condicione o deferimento da suspensão do pagamento de financiamentos à preservação do número de empregados da empresa interessada no benefício, enquanto ele perdurar. Para isso, o MPT pede, também em caráter liminar, que o BNDES faça adaptações nos instrumentos necessários para obtenção do benefício, como circulares e aditivos, de forma a constar a obrigação de preservar os empregos, sob pena de multa diária de R$ 10 milhões.

Cadastro nacional – O MPT criou um cadastro nacional para diagnóstico das necessidades da rede pública e privada de saúde no país. O cadastro está sendo ampliado diariamente, com base nas respostas de formulário disponibilizado pela instituição, e que permite ter de dados e informações sobre as condições de saúde e segurança dos profissionais que prestam serviços nas unidades públicas (municipais, estaduais e federais) e privadas de saúde de todo o país.

O objetivo é verificar a existência ou não de medidas de proteção junto aos trabalhadores de saúde, diante da pandemia pelo novo coronavírus (Covid-19). Segundo integrantes do Grupo de Trabalho da Covid-19 do MPT, o cadastro permite conhecer, de forma mais precisa e macro, a situação de saúde nos diferentes locais do país. Quanto maior a adesão, melhor será o planejamento da atuação do MPT e os resultados na proteção de profissionais de saúde e da própria população.

O preenchimento do formulário não exige identificação do respondente. As informações serão utilizadas na atuação do MPT durante a pandemia, além de orientar a melhor destinação de eventuais recursos oriundos de ações e acordos trabalhistas.

Os resultados parciais do diagnóstico serão compartilhados com outras instituições públicas para coordenar ações.

Clique aqui para acessar o formulário. 

Notas técnicas e recomendações – A instituição emitiu nota técnica sobre a Medida Provisória nº 927, que alterou a legislação trabalhista durante o período da calamidade pública, em razão da pandemia do coronavírus. O MPT também divulgou nota pública sobre a Medida Provisória nº 936, que institui o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda. Os documentos demonstram preocupação em relação a pontos das medidas como a autorização a negociação de acordos trabalhistas individuais para tratar de temas sensíveis como redução de jornada ou de remuneração dos trabalhadores.

Além disso, as coordenadorias nacionais temáticas do MPT divulgaram notas técnicas e recomendações com diretrizes a serem adotadas por empresas de diversos setores para os riscos de contaminação de trabalhadores sejam reduzidos. Veja abaixo a relação dos documentos:

Nota Técnica Conjunta nº 01 – Traz orientações sobre a atuação do MPT para o enfrentamento da Covid-19.

Nota Técnica Conjunta nº 02 – Documento norteia a atuação do órgão para reduzir impactos do coronavírus em trabalhadores e traz medidas voltadas a setores econômicos com atividades de risco muito alto, alto e médio de exposição ao vírus. 

Nota Técnica Conjunta nº 03 – Texto traça diretrizes para assegurar a igualdade de oportunidades e tratamento no trabalho para trabalhadoras e trabalhadores. Documento recomenda a flexibilização de jornada sem redução salarial para que trabalhadores atendam familiares doentes ou em situação de vulnerabilidade à infecção pelo coronavírus.

Nota Técnica Conjunta n º 04 – A nota traz orientações para a proteção de trabalhadoras e trabalhadores domésticos. Entre as recomendações estão o fornecimento de luvas, máscara e óculos de proteção a profissionais quando não for possível a dispensa do comparecimento.

Nota Técnica Conjunta nº 05 – Tem por objetivo a defesa da saúde dos trabalhadores, empregados, aprendizes e estagiários adolescentes.

Nota Técnica Conjunta nº 06 – Documento trata da promoção do diálogo social, a negociação coletiva e a proteção ao emprego e à ocupação diante do contexto socioeconômico decorrente da pandemia da Covid-19.

Nota Técnica Conjunta nº 07 – A nota traz diretrizes a serem observadas por empresas, sindicatos e órgãos da administração pPública, nas relações de trabalho, a fim de garantir a proteção de trabalhadoras e trabalhadores com deficiência.

Nota Técnica Conjunta nº 08 – Atuação do MPT na promoção de medidas de prevenção e ao enfrentamento da violência e assédio nas relações de trabalho.

Nota Técnica Conjunta nº 09 – MPT estimula a contratação de refugiados e migrantes e defende que seja assegurada igualdade de oportunidades a esse segmento diante do quadro socioeconômico decorrente da pandemia.

Nota Técnica Conjunta nº 10 – Tem como objetivo a defesa da saúde e a manutenção dos contratos de trabalho dos empregados e aprendizes adolescentes, ante o disposto na Medida Provisória n.º 936.

Nota Técnica Conafret nº 01 – Orienta a atuação do MPT em relação às empresas de transporte de mercadorias e de transporte de passageiros, por plataformas digitais.

Recomendação nº 01 – Documento traz recomendação do MPT para que empresas aceitem autodeclaração de trabalhadores com sintomas da Covid-19 como justificativa para ausência ao local de trabalho.

Recomendação Conatpa/Operação Ouro Negro - Recomenda às empresas operadoras/concessionárias e prestadoras de serviço de petróleo e gás a adoção de medidas, preventivas e garantidoras de direitos dos trabalhadores, e de segurança das operações, em razão da pandemia por coronavírus (Covid-19).

Recomendação Conatpa – Orienta a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para que exija das empresas do setor um plano de combate à disseminação do coronavírus.

Recomendação Conatpa – Recomenda às empresas do setor portuário, aos órgãos gestores de mão de obra do trabalho portuário e às autoridades portuárias a adoção de medidas de segurança para enfrentamento da pandemia (Covid-19).

Clique aqui para ter acesso aos documentos.

Grupos de trabalho e atuação interinstitucional – Por meio de um Grupo de Trabalho (GT) criado para traçar estratégias de enfrentamento ao Covid-19, o MPT desenvolveu plano de ação baseado em quatro eixos. São eles: Articulação interinstitucional/políticas públicas; Atuação estratégica/promoção; Divulgação de Notas Técnicas, Recomendações e difusão da informação para ampla conscientização; Medidas administrativas de apoio à atuação do MPT.

Também foi instituído, em caráter emergencial, GT para monitorar, centralizar, definir estratégias e promover ações de natureza extrajudicial e/ou judicial acerca da conduta da Petrobras em relação à redução de direitos dos trabalhadores durante a pandemia.

As iniciativas de combate ao coronavírus também envolvem a articulação entre o MPT e outras unidades do MP brasileiro. A instituição faz parte do Gabinete Integrado de Acompanhamento à Epidemia do Coronavírus-19 (Giac-Covid19), criado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e que reúne representantes do MPF, do MPDFT e dos MPs estaduais. Em um dos encontros, no dia 2 de abril, o grupo se reuniu com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ocasião que contou com a presença do procurador-geral do Trabalho, Alberto Balazeiro.

Tecnologia – Recursos tecnológicos também foram implementados para garantir aos integrantes do MPT o acesso a dados relevantes para o enfrentamento da pandemia O Grupo de Trabalho “Saúde na Saúde – COVID 19” criou o Painel Eletrônico de Monitoramento. A plataforma que auxilia a visualização de um banco de dados que contém as condições essenciais de saúde e segurança dos profissionais em unidades de saúde públicas e privadas de todo o país.

O Destinatômetro foi disponibilizado materializa a transparência a partir de uma tabela com todos os dados referentes às destinações do MPT no combate e na prevenção à pandemia. Trata-se de um painel de monitoramento, criado com uso de Business Intelligence, que compila e apresenta por meio de números, gráficos e totalizadores e, ainda, é possível gerar dados e informações por diversos filtros.

 

 

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Covid-19: MPT-PB apura se funcionários de lojas foram coagidos a participar de protesto em Campina Grande; MPs expedem recomendação

29/04/2020 – O Ministério Público do Trabalho na Paraíba (MPT-PB) instaurou procedimento (Nº 351/2020), na manhã dessa terça-feira (28), para apurar denúncias de que funcionários de lojas teriam sido coagidos por empregadores a participar de um protesto em Campina Grande para pedir a reabertura do comércio no município. A manifestação aconteceu na manhã da última segunda-feira (27), na Rua Maciel Pinheiro, no Centro da cidade, apesar das recomendações de autoridades estaduais para evitar aglomerações diante da pandemia do novo coronavírus. Uma recomendação foi expedida aos comerciantes de Campina Grande pelos Ministérios Públicos do Trabalho, Federal e Estadual.

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A pedido do MPT, MPF e MPPB, Famup orientará gestores a adotar medidas para evitar aglomerações em agências da Caixa

28/04/2020 - Visando prevenir aglomerações em agências da Caixa Econômica em todo o Estado, o Ministério Público do Trabalho (MPT), o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público da Paraíba (MPPB) recomendaram e a Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup) se comprometeu a orientar gestores públicos dos 223 municípios paraibanos, por meio dos órgãos municipais de assistência social, no sentido de agendarem com as respectivas agências da Caixa dia e horário para encaminhar os cidadãos aos municípios-sede das agências. Foi recomendado ainda e a federação orientará os municípios a fazer triagem das pessoas para aferir se a pretensão não poderia ser, em tese e sem violar o sigilo bancário, resolvido por meios eletrônicos.

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Máscaras produzidas pela UFCG campus de Sumé chegam a profissionais de saúde de oito municípios

27/04/2020 – Cerca de 300 máscaras do tipo ‘Face Shields’ produzidas, de forma voluntária, por professores e alunos do Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido, da UFCG, campus de Sumé, região do Cariri, já chegaram a profissionais de saúde de oito municípios da Paraíba. O número não é suficiente para atender à demanda diária de Equipamento de Proteção Individual (EPIs) para profissionais de saúde que estão na linha de frente do novo coronavírus, mas a iniciativa da equipe é gigante e espalha esperança.

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