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‘Mulheres que Inspiram’ – Evento no MPT reúne escritora Ana Adelaide, professora Patrícia Rosas e atriz Zezita Matos

06/03/2024 - Uma manhã de aprendizado e muita emoção. Assim foi a 2ª edição do projeto ‘Mulheres que Inspiram’, realizado nessa terça-feira (5), no auditório do Edifício-Sede do Ministério Público do Trabalho na Paraíba (MPT-PB), em João Pessoa. O evento contou com a participação da atriz paraibana Zezita Matos, da professora e cronista Ana Adelaide Peixoto e da professora e escritora Patrícia Rosas.

O ‘Mulheres que Inspiram’ faz parte da programação da Semana da Mulher no MPT-PB. O objetivo é trazer histórias de vida inspiradoras e promover um diálogo com o público. Conduzido pela jornalista e apresentadora Amanda Falcão, o evento contou com a participação de membros, servidores, estagiários do órgão e de representantes de instituições parceiras.

O procurador-chefe do MPT-PB, Rogério Sitônio Wanderley, acolheu os participantes e enfatizou a importância de eventos que aproximem a instituição da sociedade e citou os cargos de chefia ocupados por mulheres no MPT da Paraíba, que são maioria. “Ao término do evento, ficamos mais fortalecidos e com uma energia muito positiva. Apesar de falarmos sobre temas delicados, temas que causam desconforto, as três convidadas conduziram de uma forma leve, emocionante. Me emocionei com as experiências que foram contadas”, ressaltou o procurador.

Mulheres inspiradoras

Ana Adelaide Peixoto, Patrícia Rosas e Zezita Matos atuam em espaços diversos, mas as três têm muito em comum: são professoras, têm histórias de superação e são ‘mulheres que inspiram’.

Ana Adelaide Peixoto Tavares é professora aposentada da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e escritora. Ela escreve uma coluna semanal no Jornal A União, em João Pessoa. Entre os assuntos abordados por Ana, estão a carga mental imposta às mulheres e o avanço da violência.

“Com a terceira ou quarta jornada, mulher nenhuma aguenta a carga mental que a maternidade impõe”

“Nos últimos anos, com a terceira ou quarta jornada, mulher nenhuma aguenta a carga mental que a maternidade impõe. Para as mulheres ter essa carga mental diminuída, a gente tem que envolver os pais, envolver o Estado, envolver a família. E não é ajuda, é participação!”, enfatizou Ana Adelaide.

“Demos vários passos à frente, conquistamos várias coisas desde o voto ao trabalho, à expressão artística, a ser ou não ser mãe... Agora, o impasse da violência não sei onde vamos chegar. A gente andou duzentos passos pra trás em relação à violência, ao assédio”, acrescentou a escritora.

Do trabalho infantil no lixão aos bancos da universidade – “Minha vida foi transformada pela educação”

Patrícia Rosas é professora adjunta do Departamento de Metodologia da Educação da Universidade Federal da Paraíba, idealizadora de projetos de leitura e escrita premiada na área de educação. Ela emociona ao falar de sua história de vida e da mudança que a educação lhe proporcionou. Para um auditório lotado e atento, ela contou como superou a situação de trabalho infantil no lixão onde morou com os pais e os nove irmãos. Hoje, é professora doutora e transforma vidas por meio da educação.

“Existem muitas mulheres que só podem contar com a escola para a educação dos seus filhos e esse lugar é negligenciado. Eu vim desse lugar de periferia e sei a importância da escola. Ela é o ponto de partida de toda e qualquer criança. Meus pais eram analfabetos, minha casa não tinha livros, mas minha mãe matriculou os 10 filhos na escola. Minha mãe é a minha história. A escola não tinha parque, não tinha refeitório, mas tinha algo que eu amava - as historinhas infantis - porque elas me permitiam sonhar. A vida me derrubou muitas vezes, mas eu me levantei todas às vezes. Eu cresci ancorada na resiliência, na fé e na confiança de que a educação é transformadora e a minha vida foi transformada pela educação”.

“Ser atriz não era uma profissão considerada digna para uma mulher”

Considerada a ‘Primeira Dama do Teatro Paraibano’, a atriz Zezita Matos é natural do município de Pilar. Reconhecida nacionalmente pelo seu talento nos palcos, na TV e no cinema, ela contou detalhes inéditos da sua vida durante conversa que teve na 2ª edição do “Mulheres que Inspiram”, projeto criado em março de 2020 pelo MPT-PB e que foi retomado nessa terça-feira (5). Formada em Letras e Pedagogia, a carreira de atriz andou sempre paralela ao seu ofício de professora. Ela contou que suas paixões são fazer teatro, cinema, novela e dar aula.

“Eu nunca pensei em ser atriz até meus 15 anos, nunca. Pensava em ser professora. Na infância não tinha televisão. Quando o circo passava em Pilar toda a cidade ficava em estado de choque pra ir assistir, principalmente a parte dramática. Quando o circo ia embora a gente fazia as representações do que tinha assistido. Eu comecei a fazer teatro em agosto de 1958 e nunca mais parei. Na época, ser atriz não era uma profissão considerada digna para uma mulher”, revelou a atriz Zezita Matos, que participou pela 2ª vez do “Mulheres que Inspiram”.

Quando foi convidada para ser gestora de uma escola, Zezita foi enfática: “Eu faço teatro e não vou deixar nunca por nada. Não tem emprego que me faça deixar minha vida de atriz”, contou “a dama do teatro paraibano”, como foi apelidada tempos depois. E, assim, Severina de Souza Pontes, mais conhecida como Zezita Matos, conciliou as duas profissões.

A paraibana Zezita Matos tem um currículo longo. Conta com mais de 30 peças e mais de 10 filmes, além de participação em novelas, como “Vereda Tropical”, “Velho Chico” e “Amor de Mãe”. Em sua carreira, também participou de vários filmes, como “Mãe e Filha”, “O Céu de Suely”, “Baixio das Bestas”, “Azul”, “O Sonho de Inacim” e “Pacarrete”.

Troféus e apoio à erradicação do trabalho infantil

No final do evento, as três convidadas Ana Adelaide Peixoto, Patrícia Rosas e Zezita Matos foram homenageadas, recebendo o troféu “Mulheres que Inspiram” do MPT-PB. Elas também receberam uma Ecobag, representando a luta pelo combate e erradicação do trabalho infantil, em um gesto simbólico de adesão e apoio à causa.

“Estamos aqui para honrar e dignificar todas as mulheres que nos antecederam, todas que deram o seu sangue, o seu suor, lutando para que direitos fossem conquistados. E, se esses direitos foram conquistados, eles têm que ser mantidos e ampliados, não cerceados”, destacou a desembargadora e ouvidora da Mulher Herminegilda Machado.

O evento “Mulheres que Inspiram” contou com a participação da vice-procuradora-chefe do MPT-PB, Dannielle Lucena; da procuradora Andressa Ribeiro Coutinho, coordenadora Regional da Coordigualdade/MPT (Coordenadoria de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho); das procuradoras do Trabalho Marcela Asfóra e Myllena Alencar; da vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região, a desembargadora e ouvidora da Mulher Herminegilda Machado; da irmã Cleusa Oliveira, representante do Centro de Formação Educativo Comunitário (CEFEC) e da representante do Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FEPETI-PB), Maria Senharinha Soares Ramalho.

A 1ª edição do projeto “Mulheres que Inspiram” foi realizada em março de 2020, na sede do MPT-PB, em João Pessoa.

 

 

 

 

 

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