Lançada Campanha de Combate ao Trabalho Infantil no São João com vídeo e Exposição

Lançamento aconteceu na manhã desta terça, na Sede do MPT-PB, com apresentações culturais de crianças e adolescentes

09/06/2026 – “Vamos entrar em Ação,/ Vamos todos defender./ Contra o Trabalho Infantil/ O artilheiro é você./ O Brasil tem que vencer,/ Vencer toda Exploração./ Vamos todos transformar/ Compromisso em Ação./ Vamos dar Cartão Vermelho/ Ao Trabalho Infantil!”. A música interpretada pelo cantor Fabiano Guimarães foi apresentada para um auditório lotado durante o lançamento da Campanha de Combate ao Trabalho Infantil no São João 2026, na manhã desta terça-feira (9), na Sede do Ministério Público do Trabalho na Paraíba (MPT-PB), em João Pessoa. A exposição ‘Olhares da Infância’ – que reúne 18 trabalhos de meninas e meninos de oito municípios que integram o projeto “MPT na Escola” – foi lançada hoje e permanecerá aberta ao público no Hall de entrada do MPT-PB (Av. Almirante Barroso, 234) até o dia 17 de julho, das 8h às 16h.

ASSISTA AO VÍDEO: https://www.instagram.com/reel/DZYN4cjgy80/?igsh=MWs4Zzdqd3k2ajFx

A exposição ‘Olhares da Infância’ integra as ações da Campanha 2026 de Prevenção e Combate ao Trabalho Infantil no período junino. Em uma iniciativa inédita, a Exposição reflete o olhar de crianças e adolescentes sobre o Trabalho Infantil. Os trabalhos foram criados por alunos de escolas públicas dos municípios de João Pessoa, Cabedelo, Bayeux, Campina Grande, Cuité de Mamanguape, Guarabira, Sapé e Patos. Retratam a realidade de crianças exploradas, algumas em condição análoga à escravidão em pedreiras, em situação de vulnerabilidade social, a maioria negras.

A iniciativa é em parceria com o Instituto Paraibano de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (IPPETI) e o Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Fepeti-PB), com o apoio de municípios participantes do “MPT na Escola”. A Mostra traz o trabalho infantil doméstico, camuflado no anonimato dos lares, nas ruas e semáforos, na construção civil, no campo, no comércio. A exposição traz ainda a Aprendizagem Profissional como ação e oportunidade do 1º emprego para resgatar direitos e a Educação como Caminho para a Transformação Social. A Mostra é um convite a toda a sociedade a refletir e a não fechar os olhos para essa grave violação de direitos.

“É com muita alegria que o MPT convida a sociedade para visitar essa linda exposição. Ela foi montada com muito carinho com desenhos de crianças e adolescentes de várias cidades que, ao longo de vários anos, vêm participando do Prêmio ‘MPT na Escola’. Venham visitar!”, afirmou o procurador do Trabalho Raulino Maracajá, coordenador Regional de Combate ao Trabalho Infantil e de Promoção e Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes - Coordinfância/MPT. Ele também falou sobre a Campanha que, este ano, tem como foco o São João e a Copa do Mundo.

“Educação e arte são fortes aliadas no combate ao trabalho infantil. O que o Ministério Público do Trabalho está fazendo - hoje e sempre - é dar visibilidade à produção artística de crianças sobre um tema tão importante e necessário de ser enfrentado. Mas, esses desenhos não surgiram por acaso. Eles surgiram depois de muita conversa e reflexão em sala de aula. Por isso, também parabenizamos os professores, nossos parceiros nessa luta contínua contra a exploração do trabalho infantil”, acrescentou a procuradora-chefe do MPT-PB, Dannielle Lucena.

Durante o evento, houve apresentação de dança regional (xaxado) por oito alunas da Escola Municipal João Borges, de Cabedelo, acompanhadas pela professora Erika Ventura. Cinco alunos da Escola Municipal Joacil de Brito Pereira, em João Pessoa – campeões da Etapa Nacional do ‘Prêmio MPT na Escola’ 2025 com a música ‘Por que estou aqui’ – fizeram uma participação especial sob orientação do professor Renato Gomes Martins. Eles ainda cantaram a música “É proibido cochilar”, com o garoto Samuel na sanfona, ao vivo, animando o público.

O evento também contou com a participação dos irmãos Alexandre e Samuel Santos e ainda Joana da Silva, da Escola João Belmiro, de Bayeux, que estão com desenhos na Exposição ‘Olhares da Infância’.

Campanha 2026

A edição 2026 da Campanha de Combate ao Trabalho Infantil no São João tem como mote o Cordel "Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil", que aborda, em uma linguagem acessível e regional, a exploração do Trabalho Infantil no ambiente digital e no futebol. O Cordel traz, de forma cultural e pedagógica, o caso do influenciador Hytalo Santos, contextualizado no ambiente escolar, sob a ótica festiva do São João e da Copa do Mundo.

A ação é realizada em parceria com o Instituto Paraibano de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (IPPETI), o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) e o Fórum Estadual (Fepeti-PB) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), com o apoio de municípios e diversas instituições parceiras, entre elas, a Justiça do Trabalho.

A Campanha integra uma mobilização global que marca o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, celebrado em 12 de junho. A campanha é voltada à conscientização e ao incentivo de ações de prevenção e erradicação dessa grave violação de direitos.

12 de junho

O Dia Mundial contra o Trabalho Infantil foi instituído pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2002. No Brasil, o 12 de junho é o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, instituído pela Lei nº 11.542/2007, com campanhas coordenadas pelo FNPETI, em parceria com fóruns estaduais e entidades integrantes da Rede de Proteção à Infância.

DADOS

A Paraíba tem aproximadamente 38 mil crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, em situação de trabalho infantil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Brasil, há 1,65 milhão de meninos e meninas nessa situação.

Por dia, 15 crianças são vítimas de acidente de trabalho, no Brasil. Na Paraíba, por mês, cinco crianças se acidentam gravemente trabalhando. É o que revelam dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, ferramenta do MPT e da OIT. Foram 69 casos registrados na Paraíba em 2024 pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan/MS). No país, foram 5,6 mil notificações de acidentes de trabalho grave com crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos. Muitos acidentes ocorrem nas ruas, em grandes eventos quando meninas e meninos estão expostos à exploração sexual, ao tráfico de drogas, à venda de produtos, entre outras atividades insalubres e perigosas.

O trabalho infantil impacta diretamente o direito à educação. Segundo o IBGE, entre crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil, 88,8% eram estudantes, frente a 97,5% na população total da mesma faixa etária. A maior diferença aparece entre adolescentes: de 16 e 17 anos, a frequência escolar cai de 90,5% (população total) para 81,8% entre aqueles em situação de trabalho infantil.

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